Monday, October 17, 2005

Dois homens

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital.
Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões.
Sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.
Os homens conversavam horas a fio.
Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as ferias...
E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela .
O homem da cama do lado começou a viver a espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela.
A janela dava para um parque com um lindo lago.
Patos e cisnes chapinhavam na agua enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Arvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade podia ser vista no horizonte.
Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena.
Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar, embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, e conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retractava através de palavras bastante descritivas.
Dias e semanas passaram. Uma manha, a enfermeira chegou ao quarto trazendo agua para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia.
Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.
Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca.
Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto. Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela...que dava, afinal, para uma parede de tijolo!
O homem perguntou a enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.
A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede.
"Talvez ele quisesse apenas dar-lhe coragem...".
Moral da Historia: Ha uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada e metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, e dobrada. Se te queres sentir rico, conta todas as coisas que tens que o dinheiro não pode comprar. "O dia de hoje e uma dadiva, por isso e que o chamam de presente."

Friday, October 07, 2005

A lenda do Girassol

A Lenda do Girassol
" Contam os livros antigos, uma lenda que fala do amor de uma estrela pelo sol.
Dizem que existia no céu uma estrelinha tão apaixonada pelo sol que era a
primeira a aparecer de tardinha, no céu, antes que o sol se escondesse. E toda
vez que o sol se punha, ela chorava lágrimas de chuva.
A lua falava com a estrelinha, que assim não podia ser, que estrela nasceu para
brilhar de noite, para acompanhar a lua pelo céu, e que não tinha sentido este
amor tão desmedido! Mas a estrelinha amava cada raio do sol, como se fosse a
única luz da sua vida, esquecia até a sua própria luzinha.
Um dia ela foi falar com o rei dos ventos, para pedir a sua ajuda, pois queria
ficar olhando o sol, sentindo o seu calor, eternamente, por todos os séculos. O
rei do vento, cheio de brisa, disse à estrelinha que o seu sonho era impossível, a
não ser que ela abandonasse o céu e fosse morar na Terra, deixando de ser
estrela.
A estrelinha não pensou duas vezes, virou estrela cadente e caiu na terra, em
forma de uma semente. O rei dos ventos plantou esta sementinha com todo o
carinho, numa terra bem macia. E regou com as mais lindas chuvas da sua vida.
A sementinha virou planta. Cresceu sempre procurando ficar perto do sol. As
suas pétalas foram se abrindo, girando devagarinho, seguindo o giro do sol no
céu. E, assim, ficaram pintadas de dourado, da cor do sol.
É por isso que os girassóis até hoje explodem o seu amor em lindas pétalas
amarelas, inventando verdadeiras estrelas de flor aqui na Terra."